Servidoras do IEF participam de publicação que destaca desafios na proteção dos campos naturais da Mata Atlântica

Notícia

Qui, 26 mar 2026
Material divulgado pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica reforça o papel de Minas Gerais na produção científica e no aprimoramento de políticas ambientais

Foto: Divulgação Instituto Nacional da Mata Atlântica/INMA
A pesquisa ressalta iniciativas que fortalecem a conexão entre ciência e políticas públicas
A pesquisa ressalta iniciativas que fortalecem a conexão entre ciência e políticas públicas

Os ecossistemas abertos da Mata Atlântica — como campos rupestres, campos de altitude, restingas e inselbergs — são tema de destaque em nova edição do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA-MCTI), que publicou volume temático do Boletim do Museu de Biologia Mello Leitão dedicado aos Ecossistemas Abertos do bioma.
 
Entre os trabalhos, um artigo conta com a participação de servidoras do IEF e evidencia o protagonismo de Minas Gerais na integração entre ciência e gestão pública ambiental.
 
Intitulado “A necessidade de proteção legal de ecossistemas abertos da Mata Atlântica”, o estudo destaca lacunas históricas na legislação brasileira. Embora o bioma seja amplamente associado às florestas, os pesquisadores alertam que os ecossistemas abertos possuem alta biodiversidade, elevado grau de endemismo e exercem funções ecológicas essenciais.
 
Mesmo assim, esses ambientes ainda são pouco contemplados por políticas públicas, o que amplia vulnerabilidades frente a pressões como mineração, expansão urbana, espécies invasoras e manejo inadequado do solo.
 
O artigo aponta avanços conduzidos pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) para aperfeiçoar normas voltadas aos campos naturais. Esses ecossistemas possuem características próprias, como predominância de vegetação herbácea e maior sensibilidade a distúrbios, exigindo critérios específicos para diagnóstico ambiental, avaliação de impactos e compensações por supressão vegetal.
 
A pesquisa também ressalta iniciativas que fortalecem a conexão entre ciência e políticas públicas, como os Planos de Ação Territoriais (PATs), coordenados pelo IEF, e o Projeto Pró-Espécies. Em nível nacional, o tema avança com a articulação na Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) para a elaboração da Estratégia Nacional para os Campos Naturais.
 
A participação das analistas do IEF reforça o papel estratégico do órgão na formulação de políticas baseadas em evidências científicas e no aprimoramento da gestão da biodiversidade em Minas.
 
Os autores defendem que a conservação da Mata Atlântica deve ir além das florestas, reconhecendo os ecossistemas abertos como sistemas naturais complexos e essenciais. “Os ecossistemas abertos precisam deixar de ser invisíveis nas políticas públicas. Não são áreas degradadas, mas sistemas naturais únicos”. "Se quisermos conservar de fato a Mata Atlântica, precisamos integrar esses ambientes nas estratégias de proteção", destacam os pesquisadores Pedro Viana e Fernando Silveira. 
 
A servidora Mariana Pimenta ressalta que um dos desafios é adaptar instrumentos legais à realidade desses ambientes, ajustando critérios de diagnóstico, avaliação de impacto e compensação ambiental.
 
Gabriela Brito, destaca avanços recentes: “Instrumentos como os PATs ajudam a dar visibilidade a esses ambientes e transformar conhecimento técnico em ações concretas de conservação.”
 
Serra do Padre Ângelo reúne riqueza biológica e pressões crescentes


A mesma edição traz o artigo “Serra do Padre Ângelo (Minas Gerais): uma síntese da pesquisa em uma região prioritária para conservação”, reforçando a importância dos campos rupestres do leste mineiro.
 
Localizada no Vale do Rio Doce, a Serra do Padre Ângelo é refúgio de biodiversidade, com altos níveis de endemismo, espécies ameaçadas e novas descobertas científicas. A área também é estratégica para a provisão de água. “A Serra do Padre Ângelo é exemplo da riqueza e da fragilidade dos campos naturais em Minas Gerais”, afirma o pesquisador Paulo Gonella.
 
O estudo aponta pressões como queimadas, invasões biológicas, desmatamento e uso inadequado do solo, reforçando a necessidade de criação de unidades de conservação e outras medidas de proteção.
 
A região é prioritária no PAT Capixaba-Gerais, que apoia levantamentos de biodiversidade e estratégias de conservação.
 
As publicações completas estão disponíveis no site do INMA: Boletim 1 e Boletim 2.