Projeto Hãmhi - Terra Viva avança em Minas com apoio do IEF

Notícia

Criado: Sex, 11 abr 2025 19:21 | Atualizado: Sex, 11 abr 2025 19:50
Iniciativa une restauração ambiental, agroecologia e valorização da cultura indígena no Vale do Mucuri

Foto: Landerson Lomes Galvão
O projeto surge como uma resposta concreta aos impactos do desmatamento e da degradação ambiental
O projeto surge como uma resposta concreta aos impactos do desmatamento e da degradação ambiental


 
O Projeto Hãmhi – Terra Viva vem ganhando força e se consolidando como referência em restauração ambiental com protagonismo indígena no Vale do Mucuri, em Minas Gerais. Na última terça-feira (8/4), uma visita técnica reuniu representantes de instituições parceiras na aldeia Tikmũ’ũn (Maxakali), localizada entre os municípios de Santa Helena de Minas e Bertópolis, para acompanhar de perto os avanços da iniciativa.

Desenvolvido pelo Instituto Opaoká, com apoio da Unidade Regional de Florestas e Biodiversidade (URFBio Nordeste) do Instituto Estadual de Florestas (IEF), o projeto alia o conhecimento tradicional do povo Maxakali à produção agroecológica e à recuperação de áreas degradadas da Mata Atlântica.

Com pouco mais de um ano de atuação, o projeto já apresenta resultados expressivos. A URFBio Nordeste, uma das principais parceiras da iniciativa, forneceu mais de 29 mil mudas de espécies nativas e frutíferas, além de prestar suporte técnico na construção de três viveiros-escola e na capacitação de 30 agentes agroflorestais e 16 viveiristas indígenas.

Entre os avanços mais destacados está a criação de 100 quintais agroflorestais, que já produzem alimentos como mandioca, abóbora, feijão e frutas, garantindo segurança alimentar para as famílias locais e gerando excedentes para comercialização nas comunidades próximas. Além disso, já foram implantados 156 hectares de áreas em processo de restauração ecológica, e está em andamento a formação de uma brigada indígena de combate a incêndios florestais.

Essas ações representam uma integração entre políticas públicas e os saberes ancestrais Maxakali, como destaca o promotor de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (CAOMA), Rauali Kind Mascarenhas. “O protagonismo indígena qualifica o projeto e contribui para o resgate das tradições Maxakali na construção de um território sustentável.”

Para o supervisor regional da URFBio Nordeste, Luiz Cláudio, o modelo desenvolvido no Hãmhi pode ser replicado em outras comunidades. “A iniciativa tem potencial de restaurar cerca de 3 mil hectares de Mata Atlântica, revertendo décadas de degradação e promovendo justiça ecológica para o povo Maxakali.”

Justiça ambiental e fortalecimento da cultura indígena

O projeto surge como uma resposta concreta aos impactos do desmatamento e da degradação ambiental que comprometeram recursos hídricos vitais da região, onde estão localizadas bacias hidrográficas importantes para o abastecimento de cidades vizinhas. As ações do Hãmhi não apenas recuperam o equilíbrio ecológico, mas também fortalecem a cultura e os modos de vida tradicionais dos Maxakali.


Além do Instituto Opaoká e do IEF, o Projeto Hãmhi - Terra Viva conta com o apoio da Plataforma Semente, do Ministério Público de Minas Gerais, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), do Programa Arboretum e de outras instituições parceiras que acreditam no modelo sustentável de produção, capacitação e utilização sustentável dos recursos naturais.

Wilma Gomes

Ascom / Sisema