Parque Estadual do Rio Doce pode ser incluído em lista internacional

Notícia

Qui, 17 jan 2008


As zonas úmidas estão entre os ambientes mais produtivos do mundo, considerados armazéns naturais de diversidade biológica. A finalidade desta lista é promover o uso racional dessas zonas, mediante a adoção de políticas e legislação apropriadas e atividades de formação, pesquisa ou destinadas a incrementar a consciência pública do valor dessas áreas. “A inclusão do PERD na Lista Ramsar representará a possibilidade de negociação internacional, voltada para o desenvolvimento de pesquisa, acesso a fontes de financiamento e acordos significativos para a cooperação inter-governamental em unidades de conservação de áreas úmidas”, afirma a Diretora de Áreas Protegidas do IEF, Aline Tristão Bernardes.

Título Ramsar

O título Ramsar é concedido pela Agência de mesmo nome e surgiu de uma Convenção, ocorrida em 1971, na cidade iraniana de Ramsar. O Brasil aderiu à Convenção em 1993 e é considerado o 4º país do mundo em superfície entre os presentes na lista. Os membros reúnem-se a cada três anos para discutir o progresso da conservação das zonas úmidas, rever o status dos sítios da lista Ramsar, apreciar os relatórios de organização internacionais e elaborar resoluções e recomendações.

Os países membros da Convenção de Ramsar participam de um processo destinado a identificar os sítios em seus territórios, os quais podem ser classificados como áreas úmidas de importância internacional, com o objetivo de prestar especial atenção à sua conservação e ao seu uso sustentável.

Atualmente constam da lista oito zonas úmidas brasileiras consideradas sítios de importância internacional: Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM); Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense, Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses e Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luiz (MA); Parque Nacional do Araguaia (TO); Parque Nacional da Lagoa do Peixe (RS); Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense e Reserva Particular do Patrimônio Natural do SESC Pantanal (MT). Juntas, estas áreas equivalem a 6.456.896 hectares.

Parque Estadual do Rio Doce - PERD

O PERD está inserido em uma região que se configura como o terceiro maior ecossistema lacustre do Brasil, perdendo apenas para o Pantanal e a Amazônia, razão pela qual está pleiteando o reconhecimento Ramsar. A região possui 150 lagos naturais, sendo 40 destes dentro da área na unidade de conservação. O PERD proporciona um espetáculo de rara beleza, com lagoas que abrigam uma grande diversidade de peixes que servem de importante instrumento para estudos e pesquisas da fauna aquática nativa, destacando-se espécies como bagre, cará, lambari, cumbaca, manjuba, piabinha, traíra, tucunaré, entre outras.

A unidade de conservação representa uma importante reserva genética pela quantidade de espécies que protege, sendo que diversas destas estão ameaçadas de extinção segundo as listas vermelhas estadual e nacional. A área detém grande riqueza de espécies da fauna, como o Macuco, o Mono-Carvoeiro e a Onça-Pintada, e da flora, como o Jacarandá-da-baia e a Canela-sassafrás.

O Parque Estadual do Rio Doce está situado na porção sudoeste do Estado, a 248 km de Belo Horizonte, na região do Vale do Aço, inserido nos municípios de Marliéria, Dionísio e Timóteo.  A área abriga a maior floresta tropical de Minas em seus 36.970 hectares e foi a primeira unidade de conservação estadual criada em Minas Gerais.