Oficina marca conclusão do PAT Espinhaço Mineiro e valida resultados para conservação de espécies ameaçadas

Notícia

Ter, 03 mar 2026
Atividade validou as diferentes ações e produtos desenvolvidos desde 2020

Foto: Evandro Rodney/IEF
De acordo com o painel de gestão do plano, 36 ações (72%) foram concluídas com entrega dos produtos pactuados
De acordo com o painel de gestão do plano, 36 ações (72%) foram concluídas com entrega dos produtos pactuados

Uma oficina coordenada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) marcou, na última semana, a conclusão do Plano de Ação Territorial (PAT) Espinhaço Mineiro, com a avaliação final das ações implementadas desde 2020. O encontro reuniu pesquisadores, analistas ambientais, gestores públicos e representantes da sociedade civil para validar os resultados alcançados e medir o cumprimento das metas estabelecidas ao longo de cinco anos.

A Oficina de Monitoria e Avaliação Final teve como foco a análise do progresso das ações pactuadas e a aferição dos indicadores de acompanhamento do plano, criado com o objetivo de ampliar a conservação da sociobiodiversidade no território do Espinhaço Mineiro.

“Esse momento foi fundamental para validar a efetividade das ações realizadas e celebrar a realização de produtos tão importantes para o território, seja de geração e difusão do conhecimento, de comunicação e divulgação, de medidas de conservação in situ, ex situ ou on farm, ou de criação e aplicação de políticas públicas”, explica a gerente de Recuperação Ambiental e Planejamento da Conservação de Ecossistemas do IEF, Mariana Antunes Pimenta.

De acordo com o painel de gestão do plano, 36 ações (72%) foram concluídas com entrega dos produtos pactuados. Outras nove (18%) estão em fase final de execução e apenas cinco (10%) não foram iniciadas ou encontram-se paralisadas, desempenho considerado superior às expectativas iniciais.

Os indicadores definidos para cada objetivo do PAT foram, em sua maioria, cumpridos ou superados. Entre os destaques estão a realização de 52 estudos e levantamentos de campo e a produção de cerca de 50 publicações científicas sobre as espécies e o território, incluindo artigos que registraram a descoberta de 19 novas espécies.

Também foram produzidos mais de 30 materiais audiovisuais e educativos — como guias, vídeos, cartilhas, livros, manuais, catálogos, conteúdos para mídias sociais e portal digital — além da realização de aproximadamente 80 oficinas, seminários e capacitações.

Entre os temas abordados pelo PAT, estão a Biodiversidade dos campos rupestres e turfeiras; a importância das espécies alvo; Ciência Cidadã; uso sustentável de sempre vivas; prevenção e combate ao fogo; adequação ambiental produtiva; Plano Municipais de conservação da Vegetação Nativa; Trilhas de longo curso e conectividade, além da prevenção, monitoramento e controle de Javali/Javaporco. 

No campo da conservação direta, nove espécies-alvo e mais de 70 espécies ameaçadas foram mantidas em coleções ex situ, em viveiros ou criadouros conservacionistas, ou monitoradas em seus habitats naturais. O plano também resultou na criação de protocolos e diretrizes de manejo, na instituição de duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e no apoio à implementação de 13 unidades demonstrativas do Programa de Regularização Ambiental (PRA) Produzir Sustentável, além da elaboração de cinco Planos Municipais da Mata Atlântica.

Para a analista do IEF e coordenadora do PAT, Gabriela Brito, os resultados foram viabilizados pelo apoio do Projeto Pró-Espécies, que reconheceu a relevância estratégica do território e fortaleceu a articulação local para a conservação e o uso sustentável da sociobiodiversidade.

Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), no âmbito da Estratégia Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas, o Projeto Pró-Espécies foi financiado pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), implementado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e executado pelo WWF-Brasil, em parceria com estados brasileiros.

A diretora de Conservação e Recuperação de Ecossistemas do IEF, Marina Dias, destacou que, além dos resultados quantitativos, o plano deixou como legado uma rede fortalecida de parceiros estratégicos para atuação conjunta no território. 

A oficina encerrou com discussões e encaminhamentos sobre as possibilidades de continuidade e avanços das ações de conservação no Espinhaço Mineiro.

Território estratégico para a biodiversidade

O PAT Espinhaço Mineiro abrangeu uma área de 105.251 km², distribuída pelos biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. O plano teve como foco 24 espécies classificadas como Criticamente em Perigo (CR), sendo 19 da flora, três espécies de peixes e duas de invertebrados.

Embora direcionado a esse conjunto prioritário, o impacto positivo das ações se estendeu a mais de 1.800 outras espécies ameaçadas presentes na região.

Elaborado em 2020 e com vigência até o fim de 2025, o PAT Espinhaço Mineiro consolida-se como uma experiência estratégica de planejamento territorial voltada à conservação, integrando ciência, políticas públicas e participação social em uma das regiões mais biodiversas e ambientalmente relevantes de Minas Gerais.

Conheça mais sobre o PAT Espinhaço Mineiro AQUI.

Ascom/Sisema