Novas espécies de Margaridas Amarelas são descobertas no norte de Minas

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Criado: Qui, 13 mar 2025 18:10 | Atualizado: Qui, 13 mar 2025 18:11
As três novas margaridas amarelas pertencem ao gênero Calea, cujo nome vem do grego "kallos" (beleza), em referência às características das plantas

Foto: Divulgação IEF
As espécies foram encontradas na área do Parque Estadual Serra Nova e Talhado, no Pico da Formosa, no município de Monte Azul, além de Licínio de Almeida, na Bahia
As espécies foram encontradas na área do Parque Estadual Serra Nova e Talhado, no Pico da Formosa, no município de Monte Azul, além de Licínio de Almeida, na Bahia

Pesquisadores do Norte de Minas descobriram três novas espécies de margaridas amarelas, elevando para 11 o número de novas espécies na região do Plano de Ação Territorial para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção – PAT Espinhaço Mineiro. A região, historicamente carente de estudos sobre biodiversidade, se revela como um “hotspot” para descobertas científicas.

Essas pesquisas foram viabilizadas pelo Plano de Ação, coordenado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e parte do Projeto Pró-Espécies: Todas Contra a Extinção, uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, em parceria com 13 estados e executado pelo WWF-Brasil. O financiamento permitiu expedições entre 2022 e 2024, que resultaram na identificação de novas espécies, incluindo um novo gênero botânico, uma grande conquista para a biologia no Brasil.

A expectativa é que até o final deste ano, cerca de 10 novas espécies sejam descritas, reforçando a importância do Norte de Minas como um dos maiores centros de biodiversidade do país.

Margaridas do Gênero Calea

As três novas margaridas amarelas pertencem ao gênero Calea, cujo nome vem do grego "kallos" (beleza), em referência às características das plantas. Entre as espécies recém-descobertas, Calea roqueana foi nomeada em homenagem à pesquisadora Nádia Roque, falecida antes de receber a distinção. Já Calea riopardensis recebeu o nome da cidade de Rio Pardo de Minas, e Calea strigosa se destaca pelos tricomas (estruturas semelhantes a pelos) que cobrem o caule e as folhas.

Calea riopardensis e Calea strigosa foram encontradas na área do Parque Estadual Serra Nova e Talhado, enquanto Calea roqueana foi localizada no Pico da Formosa, no município de Monte Azul, além de Licínio de Almeida, na Bahia.

Segundo a gerente do Parque Estadual Serra Nova e Talhado, Grazielly Costa, a descoberta é crucial para a preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico da região. “A descoberta dessas novas espécies é significativa para a preservação da biodiversidade local, já que o parque faz parte de um ecossistema único e ainda pouco explorado. Conhecer a diversidade local é essencial para elaborar estratégias de conservação eficazes e garantir a proteção de espécies endêmicas ou ameaçadas de extinção”, afirmou.

Desafios e Estratégias de Conservação

As três novas espécies são endêmicas e já enfrentam risco de extinção. A identificação e descrição delas são essenciais para embasar estratégias de conservação, que envolvem o IEF, ONGs e a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço.

A analista do IEF e coordenadora do PAT Espinhaço Mineiro, Gabriela Brito, destaca que o norte de Minas é uma região rica em biodiversidade. “O reconhecimento dessas novas espécies reforça a necessidade de mais investimentos e estratégias de conservação”, afirmou Gabriela.

Um dos maiores desafios enfrentados pelos pesquisadores foi a necessidade de ilustrações botânicas detalhadas para a publicação das espécies. Embora amplamente fotografadas, os padrões científicos exigem representações gráficas precisas. O Projeto Pró-Espécies tem apoiado essa etapa, contratando ilustradores especializados.

Inclusão e Superação

Além de seu impacto científico e ambiental, a descoberta das novas espécies destaca a inclusão de pessoas com deficiência na ciência. O estudo foi liderado por Vinícius R. Bueno, doutor em botânica e diagnosticado com a Síndrome de Charcot-Marie-Tooth, uma doença neurológica degenerativa. Apesar das dificuldades físicas e preconceitos enfrentados ao longo de sua trajetória acadêmica, Vinícius se tornou uma referência no estudo do gênero Calea.

“Durante o mestrado, fui informado de que minhas limitações físicas comprometeriam a qualidade do meu trabalho. No doutorado, disseram que meu projeto era inviável devido à minha condição. Mas eu queria provar que essas limitações não me impediriam de contribuir para a ciência”, afirmou o pesquisador, que se tornou o principal autor do artigo que descreveu as novas espécies.

Vinícius, que não pode realizar expedições em áreas remotas, utilizou tecnologia e redes de colaboração para conectar-se com botânicos de todo o Brasil, acessando herbários e bases de dados digitais, além de participar de encontros científicos. “Já que não posso ir ao campo, faço o campo vir até mim, conhecendo as plantas por meio das observações e registros de outros pesquisadores”, explicou.

O Futuro da Pesquisa e Conservação

Além da publicação dos artigos científicos, os pesquisadores do PAT Espinhaço Mineiro estão desenvolvendo um guia ilustrado da flora do Norte de Minas, com imagens detalhadas das novas espécies. O Projeto Pró-Espécies continua a apoiar a pesquisa e a conservação da biodiversidade, dando visibilidade a regiões antes pouco estudadas. Espera-se que essas descobertas reforcem as estratégias de proteção ambiental e assegurem a preservação dessas espécies únicas para as futuras gerações.

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Ascom Sisema