O Parque Estadual Mata do Limoeiro celebrou, no último sábado, o lançamento do livro Escrevivências na Mata do Limoeiro: memórias, imagens e histórias, obra que marca os 15 anos da unidade de conservação e amplia o olhar sobre o território para além da preservação ambiental.
Mais do que um registro institucional, a publicação reúne 25 relatos de pessoas que, ao longo dos anos, construíram vínculos com o parque, entrelaçando memórias, experiências e percepções sobre sua trajetória.
Segundo o gerente da unidade, Alex Amaral, o livro representa um marco simbólico e político ao evidenciar que a história do parque não se limita à sua criação formal, mas é continuamente construída por quem vive, cuida, visita e se relaciona com o espaço.
“A obra materializa vivências, afetos e experiências que atravessam o território, reconhecendo o parque como um espaço vivo, onde natureza e cultura se entrelaçam de forma indissociável”, destaca.
A iniciativa nasce de um processo de escuta ao território. Ao longo dos anos, diferentes narrativas surgiram em atividades educativas, no contato com comunidades, pesquisadores, brigadistas e visitantes. Embora potentes, essas histórias permaneciam dispersas. A publicação surge, então, como um gesto de cuidado com essas memórias, reunindo e dando forma a essas experiências.
Inspirado no conceito de “escrevivência”, o livro valoriza narrativas sensíveis e plurais, muitas vezes ausentes dos discursos institucionais tradicionais. Ao reunir essas vozes, a obra contribui para consolidar uma identidade própria do parque, construída de forma coletiva e enraizada nas realidades locais.
Nesse contexto, a publicação também reforça o papel do Parque Estadual Mata do Limoeiro como espaço educativo, social e de produção de conhecimento, ampliando sua compreensão para além da conservação ambiental.
A pluralidade de relatos evidencia que o parque é vivido de diferentes formas — como lugar de trabalho, aprendizado, pesquisa, espiritualidade, lazer ou memória. Essa diversidade não apenas amplia os significados do território, como também revela sua capacidade de acolher múltiplos olhares e promover conexões entre pessoas, saberes e experiências.
Ao dar visibilidade a essas narrativas, o livro legitima vivências muitas vezes invisibilizadas e reafirma o compromisso do parque com práticas mais inclusivas, participativas e conectadas com o território.
Assim, ao completar 15 anos, o Parque Estadual Mata do Limoeiro não apenas celebra sua trajetória, mas também registra aquilo que não aparece nos relatórios: os vínculos, os afetos e as marcas deixadas nas pessoas.
Para Alex Amaral, a publicação se consolida como um legado. “Escrevivências na Mata do Limoeiro é um convite para que o parque continue sendo vivido, narrado e reinventado coletivamente ao longo do tempo”, afirma.
Escrevivências e território
O conceito de “escrevivência”, que inspira a obra, parte da ideia de que a escrita pode registrar experiências vividas, especialmente de grupos e pessoas que nem sempre aparecem nos relatos institucionais.
No contexto do Parque Estadual Mata do Limoeiro, o livro utiliza essa abordagem para ampliar a compreensão sobre o território, incorporando dimensões sociais, culturais e históricas às ações de conservação.
Com isso, a publicação contribui para consolidar o parque não apenas como uma unidade de preservação ambiental, mas também como um espaço que reúne diferentes formas de uso, percepção e relação com o ambiente.
Caroline Mércia
Ascom/Sisema

