O Instituto Estadual de Florestas (IEF) participa, nesta semana, da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS), realizada em Campo Grande. A presença do órgão mineiro no evento reforça o acompanhamento das discussões internacionais sobre biodiversidade e a busca por soluções para a proteção da fauna migratória.
A Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) é um tratado ambiental das Nações Unidas em vigor desde 1979 e reúne 132 países, além da União Europeia. A conferência ocorre a cada três anos e é a principal instância de decisão sobre políticas globais voltadas à conservação de espécies migratórias.
Durante o encontro, representantes do IEF acompanham debates que envolvem governos, cientistas, povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil. Entre os temas discutidos está a integração entre saúde humana, animal e ambiental, conhecida como conceito de “Saúde Única” (One Health).
“O IEF acompanha as discussões sobre animais silvestres e saúde, que tratam da integração entre saúde humana, animal e ambiental. A abordagem busca soluções mais efetivas para desafios como epidemias e pandemias”, destaca a analista ambiental da Diretoria de Proteção à Fauna do Instituto, Janaína Aguiar.
Poluição luminosa e impactos na biodiversidade
Outro destaque da participação do IEF foi o evento paralelo “Restoring the night: For nature and Beyond”, que abordou os impactos da poluição luminosa sobre a biodiversidade. O tema vem ganhando relevância internacional por afetar diretamente o comportamento de espécies, especialmente as migratórias.
Durante a conferência, foi apresentado um documento com recomendações para reduzir esses impactos, elaborado pelo projeto PLAN-B, iniciativa internacional que busca mitigar os efeitos da luz e do som sobre os ecossistemas. No Brasil, o projeto é coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), com colaboração do IEF.
Os representantes mineiros também acompanharam discussões sobre automonitoramento na pesca artesanal e estratégias de conectividade ecológica, incluindo o papel dos Sítios Ramsar — áreas úmidas de importância internacional.
A participação no evento reforça a atuação de Minas Gerais na conservação da biodiversidade. O estado abriga importantes áreas reconhecidas internacionalmente, como o Parque Estadual do Rio Doce e a Área de Proteção Ambiental Carste Lagoa Santa, que inclui o Parque Estadual do Sumidouro.
Essas regiões são fundamentais para a conservação de espécies migratórias e se destacam pela riqueza de habitats, incluindo sistemas de lagoas temporárias e áreas de transição entre Cerrado e Mata Atlântica.
Além disso, unidades como o Parque Estadual da Serra do Brigadeiro vêm se consolidando como potenciais áreas para observação astronômica, com possibilidade de reconhecimento internacional como “Dark Sky Park”.
A participação na COP15 fortalece o compromisso do Estado com a conservação da fauna e amplia a integração de Minas Gerais às agendas globais de proteção da biodiversidade.
Emerson Gomes
Ascom/Sisema

