O Instituto Estadual de Florestas (IEF) iniciou os trabalhos de diagnóstico ambiental, social e fundiário de uma área situada entre os municípios de Montalvânia, Juvenília e Manga, no Norte de Minas Gerais, com potencial para a criação de uma nova Unidade de Conservação (UC) estadual. A iniciativa integra as ações do Projeto GEF Terrestre e busca reunir informações técnicas que subsidiem a avaliação da relevância ambiental da região e das estratégias mais adequadas para sua conservação.
Nesta etapa, equipes multidisciplinares realizarão levantamentos e estudos voltados à caracterização dos atributos naturais e culturais da área. Entre os principais destaques está o expressivo patrimônio arqueológico e espeleológico presente na região.
O complexo arqueológico de Montalvânia é reconhecido por pesquisadores como uma das áreas de maior relevância do país, reunindo sítios arqueológicos e gravuras rupestres com características singulares no contexto brasileiro. Além disso, a região abriga importantes formações cavernícolas e remanescentes representativos do bioma Caatinga.
Os estudos também irão contemplar aspectos relacionados à biodiversidade, aos recursos hídricos, à paisagem, ao uso e ocupação do solo e às características socioeconômicas das comunidades locais. As informações levantadas serão fundamentais para avaliar a viabilidade da criação da Unidade de Conservação e orientar futuras discussões com os diferentes segmentos envolvidos no processo.
A área está inserida no bioma Caatinga, considerado um dos ecossistemas mais singulares e ameaçados do Brasil. A conservação desses ambientes é estratégica para a proteção da biodiversidade, dos recursos naturais e do patrimônio cultural associado à região.
De acordo com a diretora de Unidades de Conservação do IEF, Maria Auxiliadora Nemésio Cotta, a iniciativa representa um importante avanço para a preservação ambiental no Norte de Minas.
“Estamos diante de uma área de grande relevância ambiental, que reúne atributos únicos da Caatinga e um acervo arqueológico de destaque nacional. O diagnóstico em andamento é essencial para embasar decisões técnicas qualificadas, sempre pautadas pelo diálogo com a sociedade e pelo cumprimento das etapas legais. Nosso objetivo é avaliar, com responsabilidade e transparência, as melhores alternativas para assegurar a conservação desse território”, destacou.
O IEF ressalta que os trabalhos estão em fase inicial de diagnóstico e levantamento de informações. Neste momento, não há definição sobre a categoria de Unidade de Conservação nem sobre eventuais limites territoriais. Qualquer proposta futura dependerá dos resultados dos estudos técnicos e do cumprimento das etapas legais e participativas previstas na legislação ambiental.
Projeto GEF Terrestre
O Projeto GEF Terrestre – Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal é uma iniciativa do governo federal alinhada às diretrizes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC).
A iniciativa conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), execução do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e parceria de instituições como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e órgãos estaduais de meio ambiente.
Entre as estratégias previstas pelo projeto está o fortalecimento do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), incluindo a criação de novas áreas protegidas e o apoio à gestão das unidades já existentes.
Ascom/Sisema



