Atividades realizadas na semana passada em Santa Maria do Salto reforçaram a parceria entre o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e a Comunidade Agroextrativista e Artesã Cabeceira do Piabanha. A iniciativa integra um modelo de gestão ambiental que reconhece o papel central das populações tradicionais na proteção e no uso sustentável dos territórios.
Historicamente ligada à região, a comunidade mantém uma relação direta com o meio ambiente, baseada na interdependência entre cultura, natureza e subsistência. Os saberes ancestrais orientam práticas sustentáveis que respeitam os ciclos ecológicos, contribuem para a regeneração dos ecossistemas e garantem o uso equilibrado dos recursos naturais.
Essas práticas resultam em benefícios ambientais e sociais, como a produção de alimentos, o fortalecimento do artesanato local e a conservação do solo, além de favorecerem a reciclagem de nutrientes e a redução de processos de degradação ambiental. O modelo demonstra que é possível aliar conservação da biodiversidade à geração de renda e valorização cultural.
Nos dias 31 de março e 1º de abril, o IEF realizou um conjunto de atividades junto à comunidade, que ocupa há cerca de 60 anos a área onde foi criado o Parque Estadual Alto Cariri, em 2008. O objetivo foi mapear as áreas internas ao parque utilizadas para coleta de recursos naturais e práticas culturais.
“O levantamento é uma etapa fundamental para a elaboração do Termo de Compromisso entre o órgão ambiental e a comunidade, instrumento que formaliza regras de uso, proteção e corresponsabilidade no território”, disse o gerente de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do IEF, Edmar Monteiro. As informações também irão subsidiar o zoneamento do parque, etapa essencial do Plano de Manejo em desenvolvimento.
A inclusão das comunidades tradicionais no processo reforça a importância do diálogo e da construção de soluções compartilhadas para a gestão ambiental. A iniciativa reafirma os parques estaduais como territórios vivos, onde conservação, valorização cultural e desenvolvimento sustentável caminham de forma integrada.
Com isso, o IEF consolida uma abordagem que vai além da preservação ambiental, promovendo o protagonismo das populações que, ao longo de gerações, contribuem para a manutenção e a sustentabilidade desses espaços.
Ascom/Sisema

