Um levantamento inédito sobre a fauna da Serra do Espinhaço revelou a presença de espécies raras, ameaçadas de extinção e endêmicas em unidades de conservação localizadas em uma das regiões mais biodiversas de Minas Gerais. A pesquisa científica, autorizada em 2023 pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), teve como foco principal o Parque Estadual Serra do Intendente, no município de Conceição do Mato Dentro, e também incluiu o Parque Natural Municipal do Tabuleiro e o Monumento Natural Municipal da Serra da Ferrugem.
O estudo, intitulado Linha de Base Ornitofaunística, buscou aprofundar o conhecimento sobre as aves residentes e migratórias que utilizam a Serra do Espinhaço como rota de alimentação, reprodução e descanso — além de registrar mamíferos da região. Durante um ano, os pesquisadores utilizaram métodos como anilhamento de aves, censos populacionais e armadilhas fotográficas.
Entre os principais registros da pesquisa estão mamíferos ameaçados de extinção, como o lobo-guará e o tamanduá-bandeira, além de um achado inédito: o macaco sauá-de-cara-preta, uma espécie considerada rara, registrada pela primeira vez na região.
No grupo das aves, foram identificadas 242 espécies, entre elas a águia-cinzenta, o gavião-de-penacho e o gavião-pega-macaco, todas em risco de extinção. Segundo o biólogo Lucas Carrara, responsável pela pesquisa, a diversidade observada é resultado da sobreposição de diferentes biomas — Mata Atlântica, Cerrado e campos rupestres — o que torna a região um ponto estratégico para a conservação da biodiversidade e o turismo de observação de aves.
Uma das descobertas mais interessantes foi o registro do rei-dos-tangarás, um híbrido natural entre o soldadinho, típico do Cerrado, e o tangará, endêmico da Mata Atlântica — o que reforça o papel da Serra do Espinhaço como área de transição ecológica.
Unidades de conservação como pilares da biodiversidade
A pesquisa também destaca a importância das diferentes unidades de conservação da região para a proteção de espécies específicas. A bióloga Luciene Faria, especialista em aves da Serra do Cipó, ressalta que algumas espécies são praticamente restritas a essas áreas. É o caso do raríssimo pedreiro-do-Espinhaço, que ocorre somente nas porções mais elevadas do Parque Estadual Serra do Intendente, do Parque Nacional da Serra do Cipó e da APA Morro da Pedreira.
Já determinadas aves da Mata Atlântica foram registradas apenas em áreas mais florestadas, como a Serra da Ferrugem, que abriga ecossistemas ferruginosos altamente ameaçados pela mineração, reforçando a importância das diferentes unidades de conservação na região.
Divulgação e compromisso com a conservação
O projeto é fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Conceição do Mato Dentro e o Instituto Sustentar, com apoio institucional do IEF. Os resultados foram publicados em um livro impresso e distribuído para escolas e instituições do município. A versão digital está disponível gratuitamente no site do Instituto Sustentar: institutosustentar.net - Livro Linha de Base Aves e Mamíferos
Com iniciativas como essa, o IEF reafirma seu compromisso com a ciência e a conservação, reconhecendo que pesquisas em unidades de conservação são fundamentais para subsidiar políticas públicas ambientais e garantir a proteção dos ecossistemas naturais de Minas Gerais para as futuras gerações.
Ascom/Sisema



